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DRA. MÁRCIA J. KELMAN

Dra. Márcia Jablonka Kelman, é Médica, Especialista Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Especialista em Homeopatia pela Escola Paulista de Homeopatia. Médica da Associação Nacional de Assistência ao Diabético (ANAD), com experiência ambulatorial e em pesquisas nesse setor. Médica do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.

 

“Dormir mal engorda?” (07/11/2010)

Por Dra Márcia Jablonka Kelman

Estamos cada vez mais atarefados e, consequentemente, com menos tempo para dormir.
Este hábito “moderno” tem causado desequilíbrios hormonais, que favorecem o ganho de peso, independente do equilíbrio necessário entre a ingestão alimentar e o gasto energético diário. Daí importância de se ter, em média, sete horas de sono contínuo na vida adulta.

O ser humano foi programado para que sua natureza funcionasse associada ao aparecimento da luz natural (nascer do sol). Assim, durante o dia, com a claridade natural, ficam ativas as funções vitais e a necessidade de comida e, à noite, com o pôr do sol, ocorre a desaceleração das mesmas e iniciam-se outras funções orgânicas, também vitais, como a secreção do GH (hormônio do crescimento) e da melatonina (hormônio do sono). O GH é associado também à vitalidade, ao corpo com menores proporções de gordura e maior concentração de músculos (massa magra).

Daí que, quanto menos horas de sono, maior a chance de obesidade. A estimativa média saudável de horas de sono para um adulto jovem é de sete horas. Quantidade esta que está sendo impossível para, pelo menos, 37% dos americanos, segundo um estudo recente. Esse índice repercute em um aumento direto do aparecimento da obesidade e suas complicações.

Confira os principais mecanismos envolvidos:

1- Diminuição do ritmo do metabolismo - Isto é, ele fica mais lento, “queimando menos calorias por dia”. Quanto maior a quantidade de GH secretado à noite, menor será essa possibilidade. E o hormônio é secretado não de maneira contínua, mas em ciclos, daí a necessidade de tantas horas de sono para se estar por tempo suficiente sob a influência dele.

2- Aumento da ingestão calórica – Neste caso, existem diferentes mecanismos associados, mas talvez o mais óbvio seja: quanto mais tempo o indivíduo ficar acordado, menor será sua disposição física e mais tempo terá para sentir fome. Outro mecanismo evidente refere-se à ação da leptina, que é um hormônio associado à saciedade do cérebro. Neste caso, quando o indivíduo dorme pouco, fica prejudicada sua ação, e não só se percebe que a pessoa fica com mais fome, como também com preferência por alimentos mais calóricos.

3- Sono menos reparador – Dormir poucas horas resulta num indivíduo mais cansado e menos disposto à prática de exercícios físicos regulares.

4- Maior probabilidade de desenvolver diabetes – Pouco tempo de sono diminui a efetividade da ação da insulina, fabricada em nosso corpo. Durante a noite, isso favorece o aumento da glicemia de jejum, entre outros fatores.
Portanto, podemos concluir que o sono está diretamente relacionado ao controle de peso e à qualidade nutricional, favorecendo o aparecimento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Deve-se então privilegiar as necessidades individuais de sono para que, assim, o homem moderno possa ser cada vez mais produtivo e saudável. Durma bem!

Referência Bibliográfica: Obesidade 24°edição- Ana Damaso.

Dra. Marcia Jablonka Kelman é médica, especialista em clínica médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Especialista em homeopatia pela Escola Paulista de Homeopatia. Médica da Associação Nacional de Assistência ao Diabético. Médica do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.

 

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