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“Dormir mal engorda?” (07/11/2010)
Por Dra Márcia Jablonka
Kelman
Estamos cada vez mais atarefados
e, consequentemente, com menos tempo para dormir.
Este hábito “moderno” tem causado desequilíbrios
hormonais, que favorecem o ganho de peso, independente do equilíbrio
necessário entre a ingestão alimentar e o gasto
energético diário. Daí importância
de se ter, em média, sete horas de sono contínuo
na vida adulta.
O ser humano foi programado para que sua natureza funcionasse
associada ao aparecimento da luz natural (nascer do sol). Assim,
durante o dia, com a claridade natural, ficam ativas as funções
vitais e a necessidade de comida e, à noite, com o pôr
do sol, ocorre a desaceleração das mesmas e iniciam-se
outras funções orgânicas, também vitais,
como a secreção do GH (hormônio do crescimento)
e da melatonina (hormônio do sono). O GH é associado
também à vitalidade, ao corpo com menores proporções
de gordura e maior concentração de músculos
(massa magra).
Daí que, quanto menos horas de sono, maior a chance de
obesidade. A estimativa média saudável de horas
de sono para um adulto jovem é de sete horas. Quantidade
esta que está sendo impossível para, pelo menos,
37% dos americanos, segundo um estudo recente. Esse índice
repercute em um aumento direto do aparecimento da obesidade e
suas complicações.
Confira os principais mecanismos envolvidos:
1- Diminuição do ritmo do metabolismo - Isto
é, ele fica mais lento, “queimando menos calorias por dia”.
Quanto maior a quantidade de GH secretado à noite, menor
será essa possibilidade. E o hormônio é secretado
não de maneira contínua, mas em ciclos, daí
a necessidade de tantas horas de sono para se estar por tempo
suficiente sob a influência dele.
2- Aumento da ingestão calórica – Neste caso,
existem diferentes mecanismos associados, mas talvez o mais óbvio
seja: quanto mais tempo o indivíduo ficar acordado, menor
será sua disposição física e mais
tempo terá para sentir fome. Outro mecanismo evidente refere-se
à ação da leptina, que é um hormônio
associado à saciedade do cérebro. Neste caso, quando
o indivíduo dorme pouco, fica prejudicada sua ação,
e não só se percebe que a pessoa fica com mais fome,
como também com preferência por alimentos mais calóricos.
3- Sono menos reparador – Dormir poucas horas resulta num
indivíduo mais cansado e menos disposto à prática
de exercícios físicos regulares.
4- Maior probabilidade de desenvolver diabetes – Pouco
tempo de sono diminui a efetividade da ação da insulina,
fabricada em nosso corpo. Durante a noite, isso favorece o aumento
da glicemia de jejum, entre outros fatores.
Portanto, podemos concluir que o sono está diretamente
relacionado ao controle de peso e à qualidade nutricional,
favorecendo o aparecimento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Deve-se então privilegiar as necessidades individuais de
sono para que, assim, o homem moderno possa ser cada vez mais
produtivo e saudável. Durma bem!
Referência Bibliográfica:
Obesidade 24°edição- Ana Damaso.
Dra. Marcia Jablonka Kelman é
médica, especialista em clínica médica pela
Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Especialista
em homeopatia pela Escola Paulista de Homeopatia. Médica
da Associação Nacional de Assistência ao Diabético.
Médica do corpo clínico do Hospital Israelita Albert
Einstein.
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