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Conheça os hospitais
que trazem mais respeito ao doente e à família (15/08/2011)
Por Dra Márcia Jablonka
Kelman
Desde que nascemos,
temos a premissa certeira de que a morte um dia virá.
Entretanto, na sociedade
ocidental em sua maioria, poucos se preparam para aceitá-la,
e estamos falando tanto de médicos como de pacientes.
Os médicos,
comumente mal preparados em sua graduação para lidar
com sua impotência, dedicam-se cada vez mais a diagnósticos
mais aprimorados e tecnologias de última geração.
Esquecem-se, entretanto, de que durante a luta pela vida virá
o episódio da morte. Muitas vezes, suave e tranquila pela
própria natureza da doença que acomete o indivíduo.
Outras, custosa física, mental e espiritualmente para o
doente e seus familiares.
E quando o tratamento
prorroga o sofrimento, mais impedindo a morte do que trazendo
a própria vida?
Este é o caso, principalmente, dos pacientes oncológicos,
que em mais de 60% dos casos apresentam dores intensas, refratárias
aos tratamentos analgésicos convencionais. O que fazer
neste momento? Abandonar o tratamento? Deixar o paciente à
sua própria sorte?
Jamais! Como médicos,
juramos assistir o próximo até seu último
suspiro. Isso engloba, a partir deste momento, abandonar o tratamento
da doença e iniciar o tratamento do doente. Oferecendo-lhe
tranquilidade, respeito e alívio das dores e de qualquer
tipo de sofrimento. São os cuidados paliativos, isto é,
aqueles que cuidam mas já não curam.
Postura esta mais
compreensível para uns do que para outros, especialmente
quando sua fé inclui a existência de vida após
a morte. Entretanto, aqui na Terra, observar o sofrimento alheio
é dor quase insuportável!
Daí criarem-se
os hospices. Basicamente, hospitais para cuidados paliativos.
Estes devem ser bem-preparados, com a disposição
de médicos, equipamentos e medicamentos de última
geração, para que os cuidados sejam realmente bem-sucedidos.
Contam ainda com equipes
multidisciplinares, que cuidarão do indivíduo nesta
fase terminal, com empenho e qualidade, compostas por médicos,
fisioterapeutas, cirurgiões, nutricionistas e até
religiosos. O hospice deverá também dispor de profissionais
que cuidem dos familiares do mesmo, permitindo, assim, que eles
suportem a situação com a consciência tranquila,
já que seus entes mais amados foram assistidos até
seu último momento de vida. Repito, assistidos de modo
ativo, não apenas com equipe observadora.
Os hospices, além
de trazerem mais respeito ao doente e à família,
em ambientes mais adequados, permitem que os hospitais tenham
vagas disponíveis para os pacientes que se encontram em
outro estágio de doença.
É necessário
diferenciar as casas de saúde e de apoio a idosos dos hospices
Nesta segunda opção
temos atendimento mais especializado, moderno e mais ativo no
cuidado dos pacientes e de seus familiares. Não só
para idosos, mas também para crianças, jovens e
quem mais o precisar. Afinal, a morte pode vir em qualquer faixa
etária.
E, dentro da nossa
dor, teremos em breve no Brasil um momento de orgulho. A Santa
Casa de São Paulo deverá abrir em breve o primeiro
hospice para indivíduos de 0 a 15 anos, onde espera-se
que médicos e familiares tomem atitudes conjuntas e éticas,
que favoreçam a escolha de procedimentos necessários
ao bem-estar do doente e da família, nessa hora de passagem.
A aceitação
da morte como um fenômeno natural de processo de viver varia
com a condição individual, mas, para aqueles que
já a aceitam com mais maturidade, o hospice será
não só uma mão amiga e efetiva, mas um centro
completo e articulado, capaz de tratar o corpo e a alma do doente
e da sua família.
É hora de renovarmos
a Medicina, que tratará, a partir de então, não
só da vida, como também da morte.
Ref. Bibliografica:
Revista Onco, junho/julho 2011, ano 1/nº6.
Marcia Jablonka
Kelman é médica, especialista em clínica
médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica.
Especialista em homeopatia pela Escola Paulista de Homeopatia.
Médica da Associação Nacional de Assistência
ao Diabético. Médica do corpo clínico do
Hospital Israelita Albert Einstein.
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