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DRA. MÁRCIA J. KELMAN

Dra. Márcia Jablonka Kelman, é Médica, Especialista Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Especialista em Homeopatia pela Escola Paulista de Homeopatia. Médica da Associação Nacional de Assistência ao Diabético (ANAD), com experiência ambulatorial e em pesquisas nesse setor. Médica do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.

 

Conheça os hospitais que trazem mais respeito ao doente e à família (15/08/2011)

Por Dra Márcia Jablonka Kelman

Desde que nascemos, temos a premissa certeira de que a morte um dia virá.

Entretanto, na sociedade ocidental em sua maioria, poucos se preparam para aceitá-la, e estamos falando tanto de médicos como de pacientes.

Os médicos, comumente mal preparados em sua graduação para lidar com sua impotência, dedicam-se cada vez mais a diagnósticos mais aprimorados e tecnologias de última geração. Esquecem-se, entretanto, de que durante a luta pela vida virá o episódio da morte. Muitas vezes, suave e tranquila pela própria natureza da doença que acomete o indivíduo. Outras, custosa física, mental e espiritualmente para o doente e seus familiares.

E quando o tratamento prorroga o sofrimento, mais impedindo a morte do que trazendo a própria vida?
Este é o caso, principalmente, dos pacientes oncológicos, que em mais de 60% dos casos apresentam dores intensas, refratárias aos tratamentos analgésicos convencionais. O que fazer neste momento? Abandonar o tratamento? Deixar o paciente à sua própria sorte?

Jamais! Como médicos, juramos assistir o próximo até seu último suspiro. Isso engloba, a partir deste momento, abandonar o tratamento da doença e iniciar o tratamento do doente. Oferecendo-lhe tranquilidade, respeito e alívio das dores e de qualquer tipo de sofrimento. São os cuidados paliativos, isto é, aqueles que cuidam mas já não curam.

Postura esta mais compreensível para uns do que para outros, especialmente quando sua fé inclui a existência de vida após a morte. Entretanto, aqui na Terra, observar o sofrimento alheio é dor quase insuportável!

Daí criarem-se os hospices. Basicamente, hospitais para cuidados paliativos. Estes devem ser bem-preparados, com a disposição de médicos, equipamentos e medicamentos de última geração, para que os cuidados sejam realmente bem-sucedidos.

Contam ainda com equipes multidisciplinares, que cuidarão do indivíduo nesta fase terminal, com empenho e qualidade, compostas por médicos, fisioterapeutas, cirurgiões, nutricionistas e até religiosos. O hospice deverá também dispor de profissionais que cuidem dos familiares do mesmo, permitindo, assim, que eles suportem a situação com a consciência tranquila, já que seus entes mais amados foram assistidos até seu último momento de vida. Repito, assistidos de modo ativo, não apenas com equipe observadora.

Os hospices, além de trazerem mais respeito ao doente e à família, em ambientes mais adequados, permitem que os hospitais tenham vagas disponíveis para os pacientes que se encontram em outro estágio de doença.

É necessário diferenciar as casas de saúde e de apoio a idosos dos hospices

Nesta segunda opção temos atendimento mais especializado, moderno e mais ativo no cuidado dos pacientes e de seus familiares. Não só para idosos, mas também para crianças, jovens e quem mais o precisar. Afinal, a morte pode vir em qualquer faixa etária.

E, dentro da nossa dor, teremos em breve no Brasil um momento de orgulho. A Santa Casa de São Paulo deverá abrir em breve o primeiro hospice para indivíduos de 0 a 15 anos, onde espera-se que médicos e familiares tomem atitudes conjuntas e éticas, que favoreçam a escolha de procedimentos necessários ao bem-estar do doente e da família, nessa hora de passagem.

A aceitação da morte como um fenômeno natural de processo de viver varia com a condição individual, mas, para aqueles que já a aceitam com mais maturidade, o hospice será não só uma mão amiga e efetiva, mas um centro completo e articulado, capaz de tratar o corpo e a alma do doente e da sua família.

É hora de renovarmos a Medicina, que tratará, a partir de então, não só da vida, como também da morte.

Ref. Bibliografica: Revista Onco, junho/julho 2011, ano 1/nº6.

Marcia Jablonka Kelman é médica, especialista em clínica médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Especialista em homeopatia pela Escola Paulista de Homeopatia. Médica da Associação Nacional de Assistência ao Diabético. Médica do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.

 

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